quinta-feira, 24 de setembro de 2009

fotos de ED. Cruz Credo






ED. Cruz Credo nos anos 90









ED. Durante uma cirurgia plastica em Ghartashh Beta Alfa Omega 3

Naufrago!

Naufrago
no mar
de pessoas
Tem sede
De ar
Angustia cresce a cada dia
No trabalho aumenta
Em casa mais ainda
Lá sempre é melhor
No passado, no futuro,
Em qualquer outro lugar do mundo,
Me escondo no absurdo
De achar que meu problema
E minha solução
Em outro lugar estão,
Que não no meu coração
Naufrago na multidão
Ouro de tolo
naufrago da solidao

ED Cruz Credo Cap.2 " Puta que o pariu Raul"

Os pássaros cantavam...
O sol iluminava a manhã, mas fazia frio...
Ele se moveu sorrateiramente por entre as arvores...
Havia poucas pessoas passando pela rua, um ser montado em um veiculo de duas rodas...
Uma criatura enrugada de cabelos prateados, usando uma vestimenta bizarra, com cores berrantes, verde e laranja, e grandes brincos e colares pendurados, segurando alguma espécie de um perigoso objeto flamejante, provavelmente usado para se proteger de criminosos e/ou bestas selvagens. Ao seu lado um pequeno animal preso por uma corrente, uma criatura branca, pomposa e estranha, que passou pela calçada deixando suas fezes e urina por toda rua. Uma menina saía apressada de uma casa, deixando a porta aberta! Cheiro de comida! Comida boa!! Ele olha para os lados freneticamente, abaixando, as mãos na cabeça. Pára... se joga no chão, de barriga para cima. Olha novamente para todos os lados. Quando tem certeza que ninguém está lhe observando corre desesperadamente em direção a casa.


MJ sentou-se à mesa e disse : - Booommm diaaa!!! E nada mais. Nenhum de seus pais o respondeu. Todos permaneceram quietos, completamente concentrados na sua refeição matinal. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E às vezes os olhos de Raul se encontravam com os de Ana, e ele logo olhava para outro lado. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E MJ engasgou com o bacon, mas ninguém percebeu. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E uma mão bateu na janela, produzindo um som baixo e seco, que ninguém ouviu. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E Raul pensava em ir para a igreja ficar o dia inteiro lá, assim poderia rezar bastante e fugir da fúria da sua mulher. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E Ana pensava que se seu marido fosse para igreja, provavelmente estaria se sentindo culpado, e passaria o resto do dia lá, assim ela poderia passar o resto do dia na casa do vizinho, fazendo-se sabe lá o que. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E MJ pensava que se seu pai fosse para igreja, provavelmente passaria o dia todo lá, sua mãe passaria a tarde na casa do vizinho e ele poderia ficar sozinho em casa, e poderia usar os vestidos da sua mãe, sua maquiagem, seus sapatos... Talvez a briga deles não tenha saído tão ruim assim para ele!! MJ derretia de felicidade. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E de repente, MJ caiu da cadeira para trás gritando como uma menininha, haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Raul e Ana olharam para ele assustado, e o garoto se encolheu no canto da parede apontando para a janela, com os olhos vidrados de pavor, desmaiou. No mesmo segundo, Raul e Ana viraram-se para a janela.
-PUTA QUE PARIU!!!
-CRUZ CREDO!!!!

E ovos voaram por toda a cozinha... e pratos, copos, colheres!! E Um pedaço de bacon especialmente grande e apetitoso voou! E bateu na janela, ficando grudado. E do outro lado da janela se encontrava um ser... Um ser que não era humano. Digo logo que não era humano, porque não se parecia nada com um ser humano. Talvez se um ser humano fosse atropelado por um caminhão depois incendiado por napalm depois apagassem as chamas com um taco de basebol, jogassem cal por cima da massa que sobrou, uns tufos de cabelos azuis brilhantes meio embolados, dois olhos amarelados e no momento com aspecto raivoso, enfurecido.... Não... Mesmo assim não pareceria um ser humano... seria mais para uma mistura de Michael Jackson e Mestre Yoda, com 64 dentes escancarados, as mãos brancas e lisas com seis dedos esticadas na janela!! A criatura vestia uma espécie de macacão preto, colado ao corpo, mas estava descalça e não aparentava portar armas, mas suas mãos estavam esticadas em garra ameaçadoramente. Um pouco de baba verde escorreu de sua boca escancarada cheia de dentes... Ele colocou uma língua azul e enrugada para fora! Levou a língua até a janela e lambeu-a!

Ana caiu para trás da cadeira, esticou a mão em direção a MJ e começou a chorar.... e MJ acordou rapidamente, fez um barulho estranho, voltou a desmaiar e um cheiro horrível invadiu a cozinha. Raul se levantou da cadeira, tremendo feito vara verde, seu rosto azul cor de burro quando foge. Apoiou a mão na mesa, não agüentando se manter em pé . Estava tonto, zonzo, apavorado. Pensou em correr dali, pensou na honra dos seus ancestrais, na sua família, em se sacrificar pulando de encontro à pavorosa e ameaçadora criatura para que Ana e MJ tivessem tempo de fugir, pensou Jesus cristo e em rezar para que ele o salvasse, pensou em fugir correndo dali deixando todos para trás... Pensou em tudo isso e decidiu-se pela opção de fugir sem olhar para trás, mas se lembrou que teria que abrir e fechar a porta 9 vezes antes de sair, e ir até o carro e voltar 9 vezes, e ligar o carro 9 vezes... sempre soube que essa doença o mataria um dia... esse dia era hoje... Na falta de opção melhor continuou onde estava, estático, apavorado, rezando baixinho pedindo para acordar desse pesadelo. Enquanto ele pensava tanta coisa, Ana sentiu o cheiro que seu pouco corajoso filho exalava e se afastou dele com expressão de nojo, e começou a se arrastar sorrateiramente para fora da cozinha.

Nesse instante um barulho vindo da sala chamou a atenção de todos. A porta da casa se abriu e passos acelerados vieram correndo em direção a cozinha. E Ana pensou -“graças a deus!! Alguém viu essa criatura e chamou a policia!! Estou salva!!!””. E Raul pensou –“ Obrigado bom deus!! Você ouviu as minhas preces!! E tão rápido!!! Estranho... isso nunca aconteceu antes!!!! E MJ pensava –“ Eu to todo cagado... ele não vai querer me comer cagado... não vai... nenhum bicho come merda... ou come? Ai meu deus....
E surpreendentemente Priscila entrou correndo na cozinha, parando por um segundo, apenas um segundo, somente um segundo mesmo, nada mais que isso, para admirar a bizarra cena que se desenrolava. Olhou para seu pai apavorado em pé tremendo feito vara verde. Olhou para o seu irmão, cagado, mijado e se fingindo de morto no chão. Olhou para sua mãe se rastejando no chão no meio a ovo, bacon e pratos quebrados, olhou para a criatura grotesca parada junto a janela... escolheu a melhor rota para não sujar sua calça, foi pulando de pé em pé pela cozinha até a geladeira, esticou suas mãos por cima dela e pegou seu celular, que tinha esquecido. Rapidamente saiu em disparada para fora da casa, deixando todos atônitos.
...Silencio...
A criatura abre a janela lentamente. Seus dentes não estão mais à mostra em seu rosto. Como uma cobra, ele desliza para dentro casa, se contorcendo e levantando fazendo uma torção grotesca com a coluna e o pescoço, impossível para um ser humano. Parou. Olhou para Raul e Ana. Olhou para MJ cheirou o ar e fez cara de nojo. Parou. Seus olhos demonstravam extrema concentração... Raul e Ana se encolheram com a perspectiva de um ataque. Mas ele não atacou. Ao invés disso calmamente se virou para a janela, pegou o pedaço de bacon grudado no vidro e colocou na boca. Fez um hummmm de contentamento. E mais um hummmm. E começou a balançar os braços. E balançava os braços e pulava. E balançava os braços, pulava e rodava sobre si mesmo. E de repente pulou em cima da mesa, devorando todos os restos de comida. Lambeu o chão atrás de restos, lambeu os cacos de pratos, lambeu o fogão, a janela, a pia, a lixeira... por fim lambeu Raul ( ECA) e Ana (hummm). Abriu a dispensa e começou a despejar toda a comida para dentro da boca, 15kg de arroz 5k de feijão, macarrão, sardinha em lata com a própria lata!! Arrotou e um cheiro nauseante encheu a casa, o bairro, a cidade. E houveram muitas brigas que começaram assim:
- Seu peidorreiro!!!
-O que?
-Peida mal pra caralho, puta que pariu!!
-Foi você que peidou!!!
-Vai a merda seu idiota, foi Você!!!!
-Quem você mandou a merda?
(&¨%%$@¨#78 socos@@$chutes!#@$@)

E ele foi ate a geladeira, a abriu e começou a jogar tudo dentro da boca, desesperadamente. Ana e Raul, cobertos por um baba verde observavam atônitos. Em menos de 1,5 minutos ele comeu toda a comida da geladeira. A criatura subitamente parou. Juntou as duas mãos e seu olhar abandonou a aparência feroz, se tornado suplicante. Abriu a boca e desajeitadamente moveu os lábios e a língua – Curruuzz Creeduoo!!! Cambaleou para a direita, para a esquerda, e caiu de cara no chão da cozinha ao lado de MJ que se fingia de morto, que no mesmo instante deu um pulo e levantou gritando –aiiiiiiii. Foi correndo se esconder atrás de sua mãe que lhe deu um tapa na cara, bem dado.
- Garoto... garoto... porque tem que ficar desse jeito? Gritar como uma menininha? Não vê que o alien esta desmaiado, talvez morto?
- Mas mãe...
- Nada de mas!! Cala a boca!! Você ta todo cagado, e vem pulando em cima de mim?
- Mas mãe...
- Mas mãe porra nenhuma!!! Não importa que um alien tenha invadido a casa, você ainda não encosta a sua mão suja de merda em mim!!! ENTENDEU????
- Sim mãe, mas
- MAS PORRA NENHUMA!!! SAI DAQUI E VAI TOMAR UM BANHO!!! SOME!!!!!
- Afff.... “suspiros e passos...”
- RAUL!!!
- oi.....
- Você já chamou a policia?
- Não....
- ....
- .....
- Você não chamou os bombeiros, chamou Raul?
- Não....
- ....
- ....
- Raul, querido... você chamou o que, a carrocinha, por acaso?
- Não, querida, claro que não, não sou idiota!
- ENTÃO SEU IDIOTA, O QUE VOCE ESTA FAZENDO QUE NÃO CHAMOU A POLICIA, O EXERCITO, ALGUEM PRA TIRAR ESSA CRIATURA DA NOSSA CASA?
- E... então... era sobre isso que eu estava pensando....
- RAUL VOCE NÃO VAI COMEÇAR!!!
- Da para você se acalmar?
- NÃO PEDE PARA EU ME ACALMAR!!!
- Você precisa se acalmar Ana, afinal precisamos tomar uma decisão importante aqui, uma decisão que vai afetar a vida de um ser hu.... um ser.... um ser... que pode ser como um ser humano... para sempre....
- Pelo amor de deus Raul.... não começa...
- Você tem que entender Ana
- Puta que pariu, casei com um louco....
- Ana se ele for capturado por alguém, vão matar ele... e para pra pensar, ele não nos ameaçou...
- O que?? Você não viu o que ele fez com a minha cozinha?
- É... mas parece que só estava com muita fome.... e medo também... você viu os olhos dele?
- É... pareciam que iam me devorar.....
- Não, não... depois...quando ele acabou de comer.
- O que vamos fazer com ele então? Você é louco Raul? Vai adotar o alien? Essa criatura medonha? Vai dar de mamar pra ele? Levar pra passear? E o que você vai fazer para ele comer toda essa comida todo dia? Mesmo que seja pacifico? Como vai sustentar esse monstro? Vai simplesmente levar ele ate o mercado e solta-lo? Não é melhor a policia prender ele logo?
- Só estou dizendo para pensarmos um pouco Ana, só isso.
- Pensar em que?? Seu retardado....
- Pensar em condenar esse ser a morte ou não, pois é isso que vamos decidir.
- Puta que pariu... adota o alien e eu me separo de você.
- Vamos pensar Ana, juntos...
- Puta que pariu Raul....

domingo, 20 de setembro de 2009

AS AVENTURAS DE ED. CRUZ CREDO!

Raul abriu os olhos, ainda meio embaçados de sono, as 9:30 de uma bela manha de domingo, em 20 de setembro de 2009. Raul é um mamífero, bípede, macho, heterossexual, evangélico, casado, pai de 3 filhos, um ser humano. Raul vive em uma casa, no planeta conhecido pelo nome de Terra. Mais especificamente, em uma vila, na cidade de Niterói, rio de janeiro, Brasil. Raul abriu os olhos remelentos e lentamente se sentou na cama. Ergueu os braços para o alto, depois os esticou para os lados. Voltou a deitar-se na cama novamente e se encolheu em posição fetal. Fechou os olhos e se encolheu mais ainda, contraindo todos os músculos do corpo. Algum segundo depois relaxou e deitou-se novamente. Então abriu os olhos, e lentamente se sentou na cama. Ergueu os braços para o alto, depois os esticou para os lados. Novamente deitou na cama em posição fetal, fechou os olhos e se encolheu contraindo todos os músculos do corpo. E fez isso mais 7 vezes antes de levantar.Alguns seres humanos costumam praticar certos exercícios exóticos pela manha. O yoga é um exemplo. Mas Raul não era um yogue. Alem de ser um mamífero, bípede, macho, heterossexual, evangélico, casado, pai de 3 filhos, Raul tinha toc. È isso o tornava uma pessoa esquisita aos olhos dos outros seres humanos. Toc é um uma doença mental que afeta de 2% a 2,5% da população humana do planeta Terra, seus sintomas são diversos, mas a pessoa que sofre de toc costuma ser perturbada por pensamentos repetitivos de que pode ter se contaminado ao tocar maçanetas ou outros objetos. passa horas, todo dia, lavando as mãos, que ficam vermelhas e irritadas, abre e fecha a casa de casa varias vezes, coisas do tipo. Esse não era exatamente o problema de Raul. Raul tinha a tendência a repetir tudo, e uma fixação extrema pelo numero 9, televisão e carrinhos de brinquedo. Tirando o fato de ser obrigado a repetir certos rituais embaraçosos 9 vezes e ser fã do grupo Os Mutantes, Raul era um exemplar típico de sua raça. Adorava televisão e bacon. Raul realizou o seu ritual de sentar e deitar em posição fetal 9 vezes especialmente rápido nessa bela manha de domingo, pois sentia cheiro de bacon vindo da cozinha e seu estomago roncava. Ele foi até a cozinha, ainda sem enxergar muito e se sentou na mesa, onde sua esposa Ana servia ovos com bacon. Raul fora dormir com fome na noite anterior, pois brigara com a sua esposa por algum motivo fútil e acabou dormindo sem jantar e sem sexo. Sua mulher Ana, é um mamífero, bípede, fêmea, heterossexual, evangélica de brincadeirinha, mãe de 3 filhos, muito bonita, de inteligência mediana. O que não quer dizer muita coisa. Os seres humanos inventaram as equações de 2º, o cristianismo, a bomba atômica, o vôlei e o xadrez, e obviamente não são uma espécie muito inteligente. Especialmente as fêmeas muito bonitas de inteligência mediana. Elas não inventaram as equações de 2º, o cristianismo, a bomba atômica, o vôlei nem o xadrez, mas notoriamente são péssimas em matemática, não podem se tornar padres e ninguém em sã consciência daria uma bomba atômica a uma delas, por motivos óbvios. E também são incapacitadas para jogar xadrez. O xadrez e um jogo de tabuleiro com regras muito simples. Há peças que fazem movimentos diversos, e objetivo do jogo é capturar todas as peças do seu adversário, ou a peça conhecida como Rei. O xadrez é provavelmente o jogo mais antigo na Terra, criado por seres humanos, mas ninguém sabe porque motivo misterioso nunca, em nenhum lugar da Terra, foi possível ensinar uma fêmea muito bonita, de inteligência mediana da espécie humana a jogar xadrez. Os seres humanos durante muito tempo tiveram problemas com as fêmeas muito bonitas de inteligência mediana e o xadrez. Uma coisa a se dizer sobre as fêmeas humanas, especialmente as muito bonitas, de inteligência mediana é que elas geralmente ( 100%das vezes, para ser honesto) são cabeças duras e insistentes. Sempre tentaram fazer os homens ensiná-las a jogar xadrez, assim, só para poderem participar um pouco entende? E os homens tentaram, e tentaram e tentaram. E tentaram de novo. E mais uma vez. E de novo. E perderam a paciência. E chamaram as fêmeas muito bonitas, de inteligência mediana de burras, e isso foi à causa de divórcios e guerras entre famílias por muitos séculos. Então, um dia, na época conhecida como idade media, um ser humano macho, nada bonito de inteligência acima do normal teve uma idéia fabulosa. Tirou a maior parte das regras do xadrez, deixou apenas um tipo de peça com apenas um tipo de movimento e criou o jogo de damas. Estava resolvido o problema entre as fêmeas muito bonitas de inteligência mediana e o xadrez. Isso até a noite de ontem, quando Raul foi obrigado por Ana a tentar ensiná-la a jogar xadrez. Por cometer esse erro ingênuo Raul foi dormir na noite de sábado sem comida e sem sexo, o que é terrível para qualquer macho, em qualquer lugar da galáxia. Por esse motivo Ana e Raul não se falavam enquanto Ana servia ovos e bacon no prato de Raul e dois dos seus filhos entravam na cozinha e sentavam-se à mesa. Maria Jose, filho de Raul e Ana tem 13 anos e é um mamífero, bípede, macho, gay, afetado de mais para entrar em uma igreja evangélica, solteiro, mas cheio de casos com os meninos da escola, apesar de nenhum deles admitir isso. Apesar de uma boa parte da população, e grandes personalidades da historia, politica e artes, como Alexandre o grande, Leonardo da Vinci, Hitler, Georg W. Bush e O cigano Igor serem notoriamente gays, a humanidade prefere ignorar o obvio e não pensar no porque disso ser uma coisa tao errada e motivo de chacota entre todos, a nao ser pelas pessoas que tem filhos ou filhas gays, ou que eventualmente se descobrem gays. O fato de seu filho ser gay, não incomodava especialmente Raul, não mais que o fato de sua filha Priscila, que levantou da mesa e saiu da casa antes que eu tivesse tempo de falar sobre ela, ter feito sexo com quase todos os homens da rua, e talvez do bairro. Sexo, realmente é um assunto constrangedor para os seres humanos e é motivo de chacota ser descoberto fazendo algo que todos fazem e sabem que todos fazem, mas ninguém quer ser pego. Raul havia se acostumado com o fato de seu filho ser gay desde o nascimento da criança, quando Ana anunciou que a chamaria de Maria Jose. Ele teve certeza que um garoto, batizado com o primeiro nome de garota acabaria se tornando gay, mas sendo Ana, uma mamífera bípede, muito bonita de inteligência mediana e uma grande cabeça-dura, nada disse. MJ (como ele gosta de ser chamado) sentou-se na mesa, deu um bom dia, com a sua voz fina e levemente arrastada, e permaneceu quieto, pois presenciara a briga dos seus pais no dia anterior e não queria confusão para o seu lado. Todos permaneceram quietos, completamente concentrados na sua refeição matinal. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E às vezes os olhos de Raul se encontravam com os de Ana, e ele logo olhava para outro lado. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E mastigavam e engoliam. E engoliam e mastigavam. E derrepente. MJ caiu da cadeira para traz gritando como uma menininha, haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Raul e Ana olharam para ele assustado, e o garoto se encolheu no canto da parede apontando para a janela, com os olhos vidrados de pavor. No mesmo segundo, Raul e Ana viraram-se para a janela.
-PUTA QUE PARIU!!!
-CRUZ CREDO!!!!

Continua...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uma que adoro do Mestre Vinicius, um dia vou conseguir decorar ...

O Operário Em Construção
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Essa poesia eu tinha escrito no meu caderno, que se perdeu no limbo, hoje, vasculhando a minha memoria consegui lembrar algumas coisas, nao muito...

praticamente só a primeira estrofe ficou igual ao original, mas eu gostei do resultado. Vou tentar fazer isso com as outras q lembro alguma coisa.

Sagitarius

Fogo
No fogo
Paixão...
A hesitação...
Em um segundo cai ao chão
Corpos em combustão
Queimam no calor, em fração,
De segundos,
Que sem percebermos viram minutos,
E por milagre
Nem tão cedo, mas também não tarde,
Vejo-me completado

Beijos com gosto de aventura
Olhares que dizem tudo, tudo,
Palavras que não acabam mais...
As bocas se calam só por alguns segundos,
Mas nunca param,
Não quando estamos,
Em combustão...

O calor de mil sois,
Sorrisos que aquecem a alma,
Palavras sussurradas ao pé do ouvido,
Acompanhadas de chocolates e sorvete,
E risos, muitos risos,
E muito amor, sempre muito amor
Porque o fogo,
Quando encontra a água chia,
Quando encontra o ar se extingue,
Quando encontrar a terra se acaba,
Mas quando encontra o fogo,
Cresce e cresce
E esquenta cada vez mais
Dois corações que precisam muito de calor...
Sagitarius, se amando
Na era de Aquarius...

putz!

PUTZ!! acho q o post anterior foi o maior que já escrevi aki, assim de inspiração, um recorde, em 3 minutos... to escrevendo esse só pra encher lingüiça mesmo, e também bater o recorde de mais textos postados... acho que adoro recordes... acho que adoro meu blog, assim como adoro postar, como adoro escrever kkkk ta bom, não vou começar com isso. Como disse, só pra lembrar, tudo aki é ficção ou fricção!